São Paulo

Ainda sobre a São Silvestre

5 de janeiro de 2019

Curiosidades sobre São Paulo

Ainda sobre a São Silvestre

Fiquei em São Paulo na passagem de ano e aproveitei para ver a corrida de São Silvestre. Subi a Consolação e na Paulista dei de cara com os corredores e curiosos. Que barato. Uma energia incrível. Muita, muita gente. E de diversos lugares também. Dava pra ver pelas bandeiras, uniformes e ao ouvir os sotaques.

Pensei comigo; e não é assim mesmo que é e sempre foi a cidade de São Paulo, essa mistura de sotaques e procedências? Adoro isso!

Comecei a seguir a “São Se Veste” como diria a Pafunça, personagem criado por Osvaldo Moles e Adoniran Barbosa para as radionovelas da Record, e lá fomos nós pela Dr. Arnaldo rumo à Avenida Pacaembu. A massa trotando ladeira abaixo, uns com estilo, outros destrambelhados, alegria geral.

Passamos pela lateral do Estádio do Pacaembu e logo me lembrei de quando meu avô me levava com seu galaxy branco para assistir o jogo no domingo. Lembro-me bem que ele, muito elegante, usava chapéu como muitos outros.

Recentemente assisti lá também um jogo com filhos e sobrinhos. Isso sem falar no Museu do Futebol; também levei todo mundo no meu pequeno carro. Hoje em dia eles juntos não caberiam no meu carrinho!

O calor aumentava, já passava das dez, “por que foi mesmo que mudaram o horário desta prova? Não era de noite, na passagem do ano?”

Chegamos na Pacaembu. Além dos corredores e o público o que se via era um mar de copinhos de plástico. Loucura aquilo! Os varredores tentavam amontoar os copinhos mas era impossível juntar tudo devido à quantidade. “Meu Deus do céu, isso tudo vai parar aonde?”

Continuamos, passamos pelo túnel, largo da Banana (será que alguém sabe que esse largo tem esse nome e por quê?”). Viaduto por cima dos trilhos e, finalmente, Barra Funda. Marquês de São Vicente, Camisa Verde e Branco, Avenida Rudge e mais outro mar de copinhos…socorro!

A essa altura o calor beirava o insuportável emanando daquele asfalto todo.; 11h. Umas moças perguntam aos guardas se o metrô estava funcionando e qual era a estação mais próxima. Fiquei abismada de ver o despreparo dos guardas, que tiveram que consultar o celular para obter a resposta! Detalhe; não havia sinal…

Bom Retiro; alamedas sombreadas, que bom! “mas que legal seria a corrida de noite, na passagem do ano, corrida fresca, inusitada, singular…”

Ainda os segui pela Rio Branco, Paissandu, teatro municipal (claro que pensei no Mario de Andrade). Conversei com os guardas que estavam a cavalo, perguntei o nome de cada um, cada uma, no caso: (Bela, Janis Joplin e Amelinha), e fiquei sabendo que as éguas trabalham com crianças que tem algum tipo de deficiência e que isso auxilia no tratamento delas!

Seguindo pela Xavier de Toledo mais copos, aos milhares!

Parei na Lanchonete do Estadão para beber alguma coisa e fiquei pensando; é bem provável que os quenianos e etíopes ganhem a prova; eles são mesmo imbatíveis.

Mas todos ganhariam se a cidade de São Paulo saísse na frente e abolisse os copinhos de plástico. Deve haver no mercado algo que o substitua, não é possível! É muita irresponsabilidade gerar a cada prova, cada evento, esse tanto de lixo!

Por que não nos organizamos em torno dessa ideia da São Silvestre que já nos representa em sua diversidade? Campanha: tragam suas próprias garrafinhas ou algo semelhante. Por que não mostramos que o paulistano também sabe ser consciente? E, por que não cobramos uma volta imediata ao horário original da corrida, tal qual idealizou Casper Líbero, o homem que trouxe a corrida para São Paulo? Ou você acha que é coincidência a largada ser dada no prédio da fundação que leva seu nome? E então, vamos nos preparar para a próxima corrida de rua?

Vista da Paulista a partir do IMS

#semplastico #noplastic #cidadeverde

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3 comentários

  • Responder Ricardo Mezzovilla Gonçalves 5 de janeiro de 2019, 16:02

    Genial o registro. Dani, seus olhos são poderosos. Visao alem dos olhos comuns.

  • Responder Cristina 6 de janeiro de 2019, 18:08

    Gostoso ouvir falar de São Paulo com amor, com carinho, sem mágoa ou medo…
    É a São Paulo que queremos reconstruir!

  • Responder SILVIA MARIA RIBEIRO 12 de janeiro de 2019, 19:59

    Que leitura prazerosa!… Também me perguntava da mudança do horário da São Silvestre, algo em comum. Parabéns!

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